Preços das casas superam pela primeira vez os 2.000 €/m² e batem recorde histórico

Os preços das casas em Portugal voltaram a atingir um novo máximo histórico. No segundo trimestre de 2025, o valor mediano das habitações transacionadas ultrapassou, pela primeira vez, os 2.000 euros por metro quadrado, fixando-se nos 2.065 €/m², segundo dados divulgados esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

O aumento representa uma subida de 5,8% face ao primeiro trimestre e de 19% em relação ao mesmo período de 2024, sendo esta a variação homóloga mais elevada desde o início da série estatística, em 2019. No total, foram vendidas 41.608 casas entre abril e junho, mais 15,6% do que as 35.981 transações registadas um ano antes.

Vila Nova de Gaia, Coimbra e Amadora lideram subidas

Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, Vila Nova de Gaia, Coimbra e Amadora registaram os maiores aumentos homólogos de preços, com variações de +13,4 pontos percentuais (p.p.), +12,7 p.p. e +10,9 p.p., respetivamente.
Em contrapartida, Cascais registou a maior desaceleração, com uma descida de 6,6 p.p.. Já Lisboa e Porto apresentaram aumentos de 4,2 p.p. e 4,9 p.p., respetivamente.

Lisboa continua no topo dos preços

No ranking nacional, Lisboa mantém-se como o município mais caro para comprar casa, com um preço mediano de 4.865 €/m², seguido por Cascais (4.346 €/m²), Oeiras (4.161 €/m²), Porto (3.309 €/m²), Odivelas (3.219 €/m²) e Almada (3.101 €/m²).

As sub-regiões da Grande Lisboa (3.403 €/m²), Algarve (3.123 €/m²), Península de Setúbal (2.511 €/m²), Região Autónoma da Madeira (2.381 €/m²) e Área Metropolitana do Porto (2.278 €/m²) registaram valores acima da média nacional.
Entre estas, destacaram-se a Península de Setúbal (+22,6%) e a Grande Lisboa (+21,5%), com as maiores taxas de variação homóloga.

No extremo oposto, o Alto Minho apresentou o menor crescimento de preços (+12,5%) e a Beiras e Serra da Estrela manteve-se como a região com as casas mais baratas do país, com 715 €/m².

Estrangeiros continuam a impulsionar o mercado

As compras de estrangeiros continuam a ter um papel determinante na valorização do mercado imobiliário, sobretudo na região da Grande Lisboa.
No segundo trimestre, o preço mediano das casas adquiridas por compradores com domicílio fiscal no estrangeiro fixou-se em 2.750 €/m², mais 12,1% do que no mesmo período de 2024. Já as transações realizadas por residentes em território nacional atingiram 2.042 €/m², um acréscimo de 20% face ao ano anterior.

Entre as regiões com preços mais elevados, os valores medianos foram:

  • Grande Lisboa: 5.438 €/m² (estrangeiros) e 3.358 €/m² (nacionais)

  • Algarve: 3.672 €/m² e 3.032 €/m²

  • Península de Setúbal: 2.819 €/m² e 2.504 €/m²

  • Madeira: 3.002 €/m² e 2.332 €/m²

  • Área Metropolitana do Porto: 2.925 €/m² e 2.268 €/m²

Segundo o INE, os preços pagos por estrangeiros foram 61,9% superiores aos dos nacionais na Grande Lisboa e 29% mais altos na Área Metropolitana do Porto.