Inflação em Portugal abrandou para 1,9% em janeiro

A inflação em Portugal desacelerou para 1,9% em janeiro, segundo a estimativa rápida divulgada esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O valor representa uma queda de 0,3 pontos percentuais (p.p.) face ao mês anterior, refletindo a tendência de abrandamento dos preços que se tem vindo a observar desde o final de 2025.

Inflação subjacente também recua

A inflação subjacente, que exclui produtos mais voláteis como alimentos não transformados e energia, situou-se em 1,8%, igualmente 0,3 p.p. abaixo de dezembro. Este indicador é considerado crucial pelos analistas, pois mostra a pressão inflacionista “real” na economia, desconsiderando flutuações temporárias que podem distorcer a perceção do consumidor.

Segundo o INE, a variação dos produtos energéticos registou -2,2%, ligeiramente acima da descida de -2,4% observada em dezembro de 2025. Quanto aos alimentos não transformados, a inflação abrandou de 6,1% para 5,8%, refletindo uma moderação nos aumentos de preços que vinham pressionando fortemente o orçamento das famílias.

Comparação internacional

O Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC), utilizado para comparações entre países europeus, também registou uma variação homóloga de 1,9%, face a 2,4% em dezembro, confirmando que o ritmo de aumento de preços em Portugal está a reduzir-se de forma consistente.

Impacto para famílias e economia

O abrandamento da inflação traz algum alívio às famílias portuguesas, que nos últimos anos têm enfrentado aumentos elevados nos custos com energia e alimentos. Menores pressões inflacionistas podem também influenciar a política monetária, uma vez que o Banco Central Europeu monitoriza cuidadosamente estes indicadores na definição das taxas de juro e medidas de estímulo económico.

No entanto, especialistas alertam que, apesar desta desaceleração, os preços continuam a pressionar o poder de compra das famílias, especialmente em setores essenciais como energia e alimentação. A estabilização dos preços dependerá do equilíbrio entre oferta e procura, da evolução do preço das matérias-primas e das políticas económicas implementadas nos próximos meses.