Prestações da casa vão aumentar entre 10 e 15 euros por cada 150 mil euros de crédito
As famílias com crédito à habitação vão enfrentar novos agravamentos nas prestações mensais nos próximos meses. A escalada dos preços da energia, impulsionada pela guerra no Médio Oriente e pela redução da oferta de petróleo e gás, está a pressionar a inflação e a provocar uma subida contínua das taxas de juro de referência.
Euribor acelera com impacto direto no crédito
Desde o início do conflito, as taxas Euribor — indexante utilizado na maioria dos contratos com taxa variável — registaram subidas expressivas.
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Euribor a 6 meses: passou de 2,12% para valores acima de 2,5%.
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Euribor a 12 meses: subiu de 2,22% para níveis próximos dos 3%.
A tendência de subida deverá manter‑se, uma vez que o Banco Central Europeu mantém a taxa diretora nos 2%, mas admite um novo aumento já no próximo mês. Qualquer subida adicional das taxas diretoras tende a refletir‑se de imediato nos indexantes do mercado interbancário.
Simulações apontam para aumentos imediatos
De acordo com as simulações mais recentes da DECO PROteste, um crédito de 150 mil euros, a 30 anos, com spread de 1%, sofrerá os seguintes impactos na revisão de abril:
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Euribor a 6 meses: agravamento de cerca de 15 euros na prestação mensal.
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Euribor a 12 meses: aumento aproximado de 10 euros.
Estes valores poderão agravar‑se, uma vez que a média mensal da Euribor ainda não está fechada e o movimento ascendente das taxas permanece ativo.
Novos contratos migram para taxa mista
A instabilidade das taxas variáveis tem levado a uma mudança no perfil dos novos contratos. A maioria das novas operações de crédito à habitação está a ser realizada com taxa mista, solução que combina um período inicial de taxa fixa com uma fase posterior variável. A procura por este tipo de produto tem sido impulsionada, em particular, pela garantia pública destinada aos jovens, que tem dinamizado o mercado e contribuído para a subida das taxas aplicadas nesta modalidade.